quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Buon viaggio!!!


Acordamos às 6h e Antonio já havia providenciado duas escovas de dentes novinhas e o nosso café-da-manhã. Levou-nos até o Porto de carro. O percurso que fizemos em mais de uma hora na vinda para a casa dele, não durou 10 minutos. Despedidas, beijos, abraços, promessas de contato bla bla bla... e lá fomos nós, as duas turistas desavisadas..E BURRAS! Nos despedimos de Tony e Elvira mas esquecemos que não tínhamos um euro furado e nosso bilhete da balsa não era mais válido.

Meu coração parecia que iria sair pela boca quando olhei pra Débora com os olhos arregalados e ela perguntou assustada:
-“O que foi?!”.
-“Os bilhetes! Não temos bilhetes! E nem grana pra comprar outros.”.



Essa é só porque eu prometi..rs A aula de funk pra Elvira..
e pra mim também, porque a expert era a Débora.
Ahhhh agora os olhos dela estavam ainda mais arregalados que os meus! Ficamos assim por alguns minutos, que pareceram horas. Uma tentando acalmar a outra, que ficava ainda mais nervosa. Até que uma de nós disse (melhor não dizer quem, pois pode ser muito comprometedor..rs): “Já entrei no Maracanã sem pagar, já furei fila em ponto final de ônibus pra ir à praia, já colei em prova... nós vamos entrar nessa balsa ou seremos presas tentando”. Não sei bem se foi o tom de confiança que nos animou, ou o desespero que nos empurrou, mas nos juntamos à multidão que entrava na balsa com a maior cara lavada do mundo. O coração batendo à mil, mas estampamos aquele sorriso simpático e cretino e fomos em frente.  

O fiscal na porta da balsa estava com cara de poucos amigos, mas já tínhamos o teatro todo armado; o nosso plano B: se ele notasse a data no bilhete faríamos o maior drama. Até treinamos nossas possíveis “falas”, que iam do “O QUE?!!! COMO ASSIM??!!”, até o choro convulsionado.

A fila andava devagar; o povo se aboletando tumultuado na entrada da balsa tinha que se espremer ao chegar na fiscalização, onde só passava uma pessoa de cada vez. A figura do fiscal cada vez mais próxima fazia nosso coração bater mais rápido. Ao nos aproximarmos dele a Deda sorriu, esticou a mão com os bilhetes e disse o Buon Giorno mais cativante e simpático da vida dela. Foi uma fração de segundo, juro, eu olhei pra ele pronta pra começar o meu “choro” teatral, esperando para ver sua reação à simpatia dela. A respiração presa. O homem nem olhou os bilhetes. Abriu o maior sorriso, furou os dois bilhetes e os entregou de volta à ela sem nem olhar os benditos. “Buon viaggo!” – respondeu ele. 

Foi ali, naquele momento, meus queridos amigos, entrando num balsa lotada em Napoles, que eu, com certeza, tive uma experiência extra-corpórea e morri por uns 2 segundos.

.. até a próxima!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Hóspedes acidentais ou.. As empata-ph@$@!!


Quem poderia imaginar que tínhamos chegado à Nápoles exatamente no dia da festa de São Genaro? As ruas cheias demonstravam a devoção daquele povo, católico e fervoroso. Era uma festa religiosa por isso, não havia bebidas alcoólicas ou um bando de jovens hippies fumando maconha. Era apenas uma enorme e festiva quermesse de igreja, que mais parecia um grande desfile de escolas de samba, com muita alegria, fantasias... mas sem o samba e as mulheres peladas. Um grande carnaval de devotos. Eles seguiam pelas ruas num ritmo lento, mas cantando o tempo todo. E lá fomos nós... afinal o artista tem que ir aonde o povo está.

Por um momento nem nos lembramos que estávamos soltas no mundo, ou melhor..na cidade. Só saímos andando e dançando no meio do povaréu. Mas não se esqueçam: não era um desfile, era uma procissão! Depois de uns 10 minutos ficou um saco! E foi quando nos lembramos de nossa situação caótica. Continuamos a andar no meio da multidão, totalmente sem rumo, quando passamos por um telefone público. E foi aí que eu lembrei: ao sairmos de Ischia, imaginando que poderíamos nos perder de Anthony, levei um cartão telefônico e o número do celular dele. Eureka!  Vamos pedir ajuda ao Tony, nosso super-herói!

Relutei um pouco, afinal o cara já tinha feito o social com as “visitas” (nós), mas estávamos, literalmente, na rua da amargura, portanto não tínhamos muita escolha.
A vista do alto da Via Posillipo
Tony se surpreendeu com a ligação mas não perdeu o cavalheirismo: “CLARO que poderíamos ficar na casa dele”. Deus é pai! Mas não havia possibilidade de ir nos buscar pois o trânsito na cidade estava parte fechado, parte caótico. O jeito era pegar o trem até central e depois um táxi até a casa dele. O bairro era tão chic que nem ônibus passava lá, pensei. 

Finalmente, o táxi seguia lentamente pela Via Posillipo: a avenida mais chique da cidade. Subia pela costa azurra por entre mansões, hotéis e restaurantes de luxo, cortando o bairro mais rico de Napoles, onde se encontra inclusive a residência de verão oficial do Primeiro Ministro italiano.

O carro parou numa pequena praça lotada. Jovens por todo lado, carros chiquérrimos estacionados tocando música alta, “viajei tanto pra acabar no Gilberto Salomão”, pensei. A porta do carro abriu-se e o rosto sorridente de Anthony surgiu diante de nós. O cara era um gentleman mesmo. Quando saímos vimos outro rosto conhecido: Elvira! Ai, cacete! Empatamos os pombinhos! Mas.a situação era de total desespero. Sorry, Elvira.
Tony “garante” que não incomodamos. Hã hã, sei. Entramos no prédio bem em frente à via, e de frente para o mar azul de Napoles. O prédio era antigo e super refinado. Nos sentimos constrangidas por entrar ali de short e camiseta, mas fazer o que? Ao entrarmos no apartamento vimos a mesa posta, com velas acesas e vinho aberto. As taças ainda estavam sobre a mesa com um restinho de vinho. Caraca! Pense numa vergonha! Nem um dos dois, no entanto, demonstrou qualquer insatisfação em nos receber. Elvira trouxe duas toalhas e perguntou se gostaríamos de “Scrubs”. Porque ela haveria de perguntar se queríamos ver televisão? (Scrubs era o nome de uma série de tv). E aquele foi meu primeiro contato com a palavra scrubs rs; Ela notou nosso ar de dúvida e foi ao quarto voltando com dois scrubs, verdes e passadinhos, para que pudéssemos tomar um banho e vestir roupas limpas. AH!! Aventais de médico! Dãã.
Vista do apartamento de Tony


Elvira foi à cozinha fazer algo para jantarmos. Ficamos de papo até bem tarde; rimos, conversamos sobre a vida, ensinamos a Elvira a dançar funk (prometo procurar essa foto para publicar aqui..rs) e ao som de “só as cachorras...” cheio de sotaque, nos despedimos e fomos dormir. A manhã seguinte seria muito corrida, já que tínhamos que pegar a balsa às 7h.
Cedo demais pra outra aventura, vocês devem estar pensando, não é??  Hmmmfff Tolinhos.

..continua..