sexta-feira, 26 de abril de 2013

Promoção e pras mocinhas!



Quando a gente ouve a palavra PROMOÇÃO, ou vê algo do tipo “SÓ AMANHÃ!” , não sei vocês, mas eu imagino logo a fila se formando na frente da Ricardo Eletro em Taguatinga às 4 da manhã. O povão se acotovelando pra comprar TV de tela plana 32” com conversor interno e 2 anos de garantia, por 600 reais. Essa era a cena no meu cérebro quando acordamos cedo para chegarmos “primeiro” na tal agência. Imaginava um monte de gente lá, comprando viagens pra tudo o que é canto do planeta, a preço de banana. Pois é. Pelo menos eu “achava” que seria assim. 

Chegamos lá cedinho. Curiosamente, a loja estava às moscas. Nenhum cliente e apenas um funcionário, com cara amarrada, atrás de uma mesa velha, que nem se levantou para nos receber. Acho que fomos as primeiras pessoas a entrarem naquela loja... nos últimos 10 anos!

Quanto? Quando? Onde? Como? Eram perguntas atrás de perguntas que o rapaz custava a responder. Tudo ele pesquisava no computador à sua frente. Carinha mal informado, pensei. A passagem aérea ida e volta para Delhi, na Índia, ficava em U$500. Uma pechincha! (segundo a Débora). Eu achei um absurdo. Estávamos viajando há algumas semanas e com dinheiro contado. Onde eu iria arranjar U$500?? Por mais barato que fosse, eu não sabia fazer dinheiro...ainda. 

A Débora estava decidida e não aceitava não como resposta. Disse que me emprestaria o dinheiro, que já estávamos na metade do caminho, e metralhou quase sem respirar:” ir à Índia saindo do Brasil é muito mais caro e talvez não tenhamos  mais uma oportunidade tão boa afinal temos um amigo indiano que nos dará todo o apoio por lá”. Assim mesmo. Sem vírgula, sem ponto, sem oxigênio. “Certo”, concordei finalmente. “Vamos lá”. Se é iminente, relaxe, não é assim? 

Mas havia um pequeno porém (claro que havia...): a empresa era russa. Isso mesmo, russa - da Rússia (em caso de dúvidas) e teríamos que fazer escala em Moscou por 6 horas antes de ir para Delhi. Chato, mas aturável, pensei. Isso na ida! Avisa o simpático agente de viagens. Na volta (prontos?) ficaríamos 2 dias em Moscou. Isso mesmo. Dois! E teríamos que pagar para tirar o visto russo. Uma bagatela: U$375. Что??? (O QUE?? em russo rs). Só podia ser brincadeira - U$375 para ficar dois dias em Moscou, fora o hotel e a alimentação. A idéia genial veio em seguida: tiramos o visto na Índia, porque a moeda lá é mais barata, o vistod eve ser mais barato também. Pronto! Resolvido! Naquele momento não nos passou pela cabeça que o “barato” ia sair MUITO mais caro do que poderíamos imaginar.

Saímos da agência com as passagens compradas para dali a dois dias, o peito em festa e o coração a gargalhar. Mas eu ainda não estava muito convencida de que aquela era uma boa idéia...  E nessas horas, eu odeio ter razão! 

... continua

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A volta das filhas pródigas



Chegamos à Ischia às gargalhadas, ou como diriam os mais experientes, dando risadas nervosas..rs Afinal, o terror havia passado. Sãs e salvas já pensávamos como seria divertido contar o “causo” quando voltássemos. Depois de todo o terror, conseguimos voltar pra “casa”, ou em nosso caso: pro albergue. Quando o dono veio correndo nos abraçar. “Meninas!! O que aconteceu?? Estávamos todos preocupados. Napoles é uma cidade muito perigosa e vocês não voltaram ontem à noite.” O que achei interessante foi que ele não pensou que estivéssemos na “farra”, como as meninas inglesas, mesmo sendo brasileiras (já que brasileiro tem fama de festeiro). Deve ter sido pelo meu rostinho ingênuo rs. Contamos nossa aventura e ele, todo aliviado disse ter guardado uns brioches para tomarmos café da manhã e que abriria o quarto para que pudéssemos descansar. (o café-da-manhã no albergue acaba às 8h30min e ninguém pode ficar no albergue durante o dia). Muito fofo ele.

Naquele dia aproveitamos a praia e mais tarde, de novo de balsa, voltamos à Nápoles para iniciar nossa viagem de volta à Roma. Sem atropelos dessa vez. Graças a Deus!
E lá estávamos: de volta ao Termini. Roma, infine! Lá estávamos nós, arrastando nossas maletas quando a Deda viu um cartaz na porta de uma loja. Era uma Empresa de Turismo e a foto mostrava o Taj Mahal e anunciava: “Promoção! Vôos para a Índia pelo menor preço da Europa”. Vi logo pelo brilho no olhar dela que aquilo não ia acabar bem. Pobre não pode ver a palavra PROMOÇÃO, seja no idioma que for, que já se assanha todo.  “Ahhh vamos pra Índia? Vamos! Vamos!”, insistiu. Ela nem sabia quanto era a passagem, ou qualquer outro detalhe a respeito da tal propaganda, mas já estava encomendando o sari. A loja estava fechada mas, depois de muita falação no meu ouvido, concordei em voltarmos no dia seguinte e procurar saber mais detalhes sobre a tal “promoção”. Nossa aventura estava pra ficar ainda mais interessante...

Amanhã eu conto. Juro!