Quando a gente ouve a
palavra PROMOÇÃO, ou vê algo do tipo “SÓ AMANHÃ!” , não sei vocês, mas
eu imagino logo a fila se formando na frente da Ricardo Eletro em Taguatinga às
4 da manhã. O povão se acotovelando pra comprar TV de tela plana 32” com conversor interno e 2
anos de garantia, por 600 reais. Essa era a cena no meu cérebro quando
acordamos cedo para chegarmos “primeiro” na tal agência. Imaginava um monte de
gente lá, comprando viagens pra tudo o que é canto do planeta, a preço de
banana. Pois é. Pelo menos eu “achava” que seria assim.
Chegamos lá cedinho.
Curiosamente, a loja estava às moscas. Nenhum cliente e apenas um funcionário,
com cara amarrada, atrás de uma mesa velha, que nem se levantou para nos
receber. Acho que fomos as primeiras pessoas a entrarem naquela loja... nos
últimos 10 anos!
Quanto? Quando? Onde? Como? Eram
perguntas atrás de perguntas que o rapaz custava a responder. Tudo ele
pesquisava no computador à sua frente. Carinha mal informado, pensei. A passagem
aérea ida e volta para Delhi, na Índia, ficava em U$500. Uma pechincha!
(segundo a Débora). Eu achei um absurdo. Estávamos viajando há algumas semanas
e com dinheiro contado. Onde eu iria arranjar U$500?? Por mais barato que
fosse, eu não sabia fazer dinheiro...ainda.
A Débora estava decidida e não aceitava não como
resposta. Disse que me emprestaria o dinheiro, que já estávamos na metade do
caminho, e metralhou quase sem respirar:”
ir à Índia saindo do Brasil é muito mais caro e talvez não tenhamos mais uma oportunidade tão boa afinal temos um
amigo indiano que nos dará todo o
apoio por lá”. Assim mesmo. Sem vírgula, sem ponto, sem oxigênio. “Certo”,
concordei finalmente. “Vamos lá”. Se é iminente, relaxe, não é assim?
Mas havia
um pequeno porém (claro que havia...): a empresa era russa. Isso mesmo, russa - da Rússia
(em caso de dúvidas) e teríamos que fazer escala em Moscou por 6 horas antes de
ir para Delhi. Chato, mas aturável, pensei. Isso na ida! Avisa o simpático agente de viagens. Na volta (prontos?) ficaríamos 2 dias em Moscou. Isso mesmo. Dois! E
teríamos que pagar para tirar o visto russo. Uma bagatela: U$375. Что??? (O QUE?? em russo rs). Só podia ser brincadeira - U$375 para
ficar dois dias em Moscou, fora o hotel e a alimentação. A idéia genial veio em seguida: tiramos o
visto na Índia, porque a moeda lá é mais barata, o vistod eve ser mais barato também. Pronto! Resolvido! Naquele
momento não nos passou pela cabeça que o “barato” ia sair MUITO mais caro do
que poderíamos imaginar.
Saímos da agência com as
passagens compradas para dali a dois dias, o peito em festa e o coração a
gargalhar. Mas eu ainda não estava muito convencida de que aquela era uma boa
idéia... E nessas horas, eu odeio ter razão!
... continua