Acordamos às 6h e Antonio já havia providenciado duas escovas de
dentes novinhas e o nosso café-da-manhã. Levou-nos até o Porto de carro. O
percurso que fizemos em mais de uma hora na vinda para a casa dele, não durou
10 minutos. Despedidas, beijos, abraços, promessas de contato bla bla bla... e
lá fomos nós, as duas turistas desavisadas..E BURRAS! Nos despedimos de Tony e
Elvira mas esquecemos que não tínhamos um euro furado e nosso bilhete da balsa
não era mais válido.
Meu coração parecia que iria
sair pela boca quando olhei pra Débora com os olhos arregalados e ela perguntou
assustada:
-“O que foi?!”.
-“Os bilhetes! Não temos
bilhetes! E nem grana pra comprar outros.”.
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| Essa é só porque eu prometi..rs A aula de funk pra Elvira.. e pra mim também, porque a expert era a Débora. |
Ahhhh agora os olhos dela
estavam ainda mais arregalados que os meus! Ficamos assim por alguns minutos,
que pareceram horas. Uma tentando acalmar a outra, que ficava ainda mais
nervosa. Até que uma de nós disse (melhor não dizer quem, pois pode ser muito
comprometedor..rs): “Já entrei no Maracanã sem pagar, já furei fila em ponto
final de ônibus pra ir à praia, já colei em prova... nós vamos entrar nessa
balsa ou seremos presas tentando”. Não sei bem se foi o tom de confiança que
nos animou, ou o desespero que nos empurrou, mas nos juntamos à multidão que entrava
na balsa com a maior cara lavada do mundo. O coração batendo à mil, mas
estampamos aquele sorriso simpático e cretino e fomos em frente.
O fiscal na porta da balsa
estava com cara de poucos amigos, mas já tínhamos o teatro todo armado; o nosso
plano B: se ele notasse a data no bilhete faríamos o maior drama. Até treinamos
nossas possíveis “falas”, que iam do “O QUE?!!! COMO ASSIM??!!”, até o choro
convulsionado.
A fila andava devagar; o povo
se aboletando tumultuado na entrada da balsa tinha que se espremer ao chegar na
fiscalização, onde só passava uma pessoa de cada vez. A figura do fiscal cada
vez mais próxima fazia nosso coração bater mais rápido. Ao nos aproximarmos
dele a Deda sorriu, esticou a mão com os bilhetes e disse o Buon Giorno mais cativante e simpático da vida
dela. Foi uma fração de segundo, juro, eu olhei pra ele pronta pra começar o
meu “choro” teatral, esperando para ver sua reação à simpatia dela. A
respiração presa. O homem nem olhou os bilhetes. Abriu o maior sorriso, furou
os dois bilhetes e os entregou de volta à ela sem nem olhar os benditos. “Buon
viaggo!” – respondeu ele.
Foi ali, naquele momento, meus
queridos amigos, entrando num balsa lotada em Napoles, que eu, com certeza, tive
uma experiência extra-corpórea e morri por uns 2 segundos.
.. até a próxima!






