segunda-feira, 30 de maio de 2011

Buongiorno, principessas!

Não sei vocês, mas eu acho italiano o idioma mais lindo e sexy do planeta!

Não importa o que se fale, pode estar certo que vai soar como um cântico de amor. Agora feche os olhos e imagine um daqueles deuses italianos te dizendo em voz sussurrada e sotaque mais doce que rapadura fresca: "Il mio cane è scappato e io penso proprio di una madre noiosa." Gente!! É tudo, não é? Enfim.. foi nesse país, onde todo mundo fala italiano com sotaque, que eu acabara de chegar. Ahh a propósito a frase sensual quer dizer "Meu cachorro fugiu e eu acho sua mãe uma chata.". Não é lindo?? rs

Logo no aeroporto, Malpenza (até o nome é lindo, né?), em Milão, ja nos deliciávamos ouvindo a sonoridade do idioma. Ao sairmos da alfândega um guarda nos  abordou "dove sono le ragazze?" ahhh que liiindo!!! "Brazilianas", respondi com cara de quem entendia tudo. Aí a coisa foi pro brejo. Ele desatou a falar, numa rapidez de fazer inveja a repentista nordestino. Eu achando que iria tirar uma onda mas não teve jeito, mandei meu inglês nele e disse que não entendíamos nada de italiano. Ele parou e disse em inglês, bem devagar; "Vieram trabalhar como modelos?"  ..... Peraí que tem mais um pouquinho de ...... (...e juro que ouvi uns grilos nessa hora).

Vou ter que mudar de parágrafo aqui. Vamos ser honestos. Duas balzaquianas chegando em Milão. Uma medindo exatos 1m48, cujo peso só chegaria aos 40 quilos se ela estivesse segurando uma mala de 30; a outra com mais ou menos 3 arroubas, bem pesadas, distribuídas num "corpão" de 1m58, e o camarada pergunta se fomos trabalhar como modelos?! Conclusão: aquele carcamano safado estava de sacanagem com a nossa cara! Ele já estava ensaiando a próxima gracinha, o sorriso malicioso brotando no canto da boca, quando me ouviu dizer bem séria: "Sim! Exatamente." Peguei-o desprevenido, óbvio. Ele queria nos sacanear, mas não me conhecia... Afinal de contas meus antepassados foram os antecessores do termo "curtir com a cara dos outros". Ficou me olhando com vontade de responder mas.. nada. Sem chance, Pepino di Capri!
Teto do Dumo em MIlão - ô lugar pra ter gente bonita!


Após um muito bem colocado "Arrivederci", lá fomos nós arrastando a mala pela rua em busca do ônibus para Pavia, onde encontraríamos meu amigo Antonio, o planejador.

De olho em todo o itinerário do ônibus, contávamos todos os pontos que ele havia nos indicado. Lojas, prédios, igrejas (e quantas igrejas...) e finalmente chegamos à parada onde o encontraríamos. E lá estava ele.


Eu, Deda e Dr. Antonio, nosso gentil anfitrião Paviense.
Quando conversamos com alguém pelo computador você sempre cria a imagem da pessoa com quem está falando. E a imagem que criei não tinha nada a ver com a que eu via. Num país onde os homens e mulheres são conhecidos por sua beleza ímpar eu não poderia dizer que ele possuía uma beleza clássica. Era inacreditável que ele fosse italiano. Talvez húngaro. Não. Tcheco. Diferente de tudo o que eu havia imaginado.  O Antonio era magro (ainda é), muito magro. Com roupas largas e barba enorme. Não conseguia ver nele o médico inteligente e falante com quem eu conversava. Mas ele era. A primeira coisa que disse quando saímos do ônibus foi "Buongiorno, principessas!". Daí pra frente foi só alegria. Mas essa história fica pro próximo capítulo ... :-)  


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Picolé suíço

Chegamos em Zurique numa agradabilíssima manhã de verão (no hemisfério norte o verão começa em junho e agosto é um dos meses mais quentes). Eram 6 da manhã e estavam fazendo deliciosos 5 graus. Não. Não foi erro de digitação ou de memória : CINCO graus! Os nativos passeavam, pasmem, em "mangas de camisa" (como diria minha avó), camisetas de manga curta e bermuda! Mas lembrem-se: era a Suíça! Podia estar fazendo 5 graus mas era verão e só o fato de ter sol (apesar do bendito parecer uma lâmpada de geladeira - só iluminava mas não aquecia nadinha) já era motivo de festa (na Suíça, o sol é coisa tão rara que crianças recém-nascidas tomam vitamina D até os 2 anos de idade).

Planejamos todo nosso dia, começando por pegar um trem do aeroporto à linda e alpina cidade de Luzerne. Eu podia não ir esquiar nem nada, mas que eu ia ver os Alpes, ahh isso eu ia!

Gente, a decisão mais sábia que tomamos foi a de ficar na Suíça só por um dia. Não pelo frio, pois estávamos encasacadas até a alma, mas pelo preço das coisas. Pai eterno, o que era aquilo?!! O custo do trem era mais alto que o taxi aqui no Brasil. Enfim. Lá fomos nós, rumo aos Alpes nem-tão-nevados.

Luzerne é, como toda paisagem dos Alpes...
L I N D A!! Coisa de livro de fotografia MESMO! Tres detalhes que me surpreenderam: o lago que banhava a cidade era formado pelo derretimento das geleiras e era imeeenso. Os pontos de "ônibus" eram pequenos decks onde chegavam os BARCOS!  Isso..nada de ônibus. E.. o terceiro e mais supreendentemente estranho: nunca vi gatos tão enormes quanto os gatos de Luzerne. Não. Não eram gatos normais. Vocês precisam tentar me entender aqui: eram GIGANTES!! Os gatos eram GIGANTES!! Dái eu pensei: dãã! Claro! Tomam leite de vaca suíça!! :-)


Ponto de ônibus/barco em Luzerne.



Pegamos um dos "ônibus", um barco lindo de doer, e fomos singrar as redondezas naquele frio de rachar. No meio do caminho o povo que estava no barco conosco começa a se despir. É isso mesmo: se despir! Havia uma jovem (pelo idioma devia ser nórdica) que ficou tão entusiasmada que ficou só de soutien, deitada na proa do barco como uma carranca num barco do São Francisco. Olhávamos em volta e por todo lado era gente feliz e sorridente passando filtro solar. E nós do lado de dentro do barco, mortas de frio. Dois picolés suíços.

  
Eu disse que eles eram grandes. Olha o tamanho dessa criatura.
E era gato de rua. Sem coleira ou identificação.

E assim fomos. Saltamos do barco em alguns pontos e passeávamos por tudo o que era lado. Pagamos 8 euros por um sanduiche de pão com manteiga e queijo (mas era queijo suíço, né?), e curtimos a nossa porta de entrada na Europa. A bela Luzerne. Passamos horas registrando tudo: arquitetura, flora e fauna local, como se cada um deles fosse algo que nunca víramos e nunca veríamos de novo. E alguns deles... foram mesmo.

.continua...




Europa, aqui vou eu!!

Onde estava eu?? Ahhh no planejamento... vamos lá!

No meio de toda essa "festa" de planos, minha amiga Débora me liga e depois de algum papo decide que vai me acompanhar em minha aventura. Aí tudo ficou ainda melhor, afinal de contas viajar com alguém com quem possamos partilhar piadas e "micos" é melhor ainda.

Meus papos com meus amigos italianos (ou quase) estava de vento em popa. O Antonio planejou TODA nossa viagem, mas toda mesmo! Horários de trem, albergues pelo caminho e requintes de detalhes. Um deles foi tão primoroso quanto útil: Não se hospedar em Veneza, mas sim numa cidade próxima e fazer o percurso diário de trem, pois era muito mais barato. Na verdade, a dica foi tão sensacional que acabamos conhecendo mais 3 cidades além das que tínhamos planejado. Mas isso é papo pra depois...

Dia 4 de agosto lá vou eu rumo ao aeroporto de Guarulhos encontrar a Débora. Os planos: 2 meses de muitas andanças!

A primeira parada tinha sido surpreendentemente planejada poucos dias antes: como o vôo fazia escala na Suíça, descobri ( e aqui vai uma dica muito legal) que você pode desmembrar a passagem, ficando no país da escala, desde que a estada não ultrapasse 3 dias (que pode mudar de acordo com as normas da companhia aérea) e só paga uma nova taxa de embarque. Você só desembarca com a bagagem de mão (não sei se as regras mudaram já que agora a segurança nos aeroportos é bem mais rígida) e pode fazer um pequeno tour de 2 ou 3 dias num país diferente. Como os brasileiros não precisam de vistos para entrar em países da Europa, fica ainda mais simples. No nosso caso, como estávamos com pouco dinheiro para uma viagem de, a princípio, dois meses, resolvemos ficar só um dia por lá. Chegamos à Zurique pela manhã e pegaríamos o voo da noite para Milão. Nosso destino final. De lá rodaríamos a Itália de trem.

A aventura estava só começando...