Não importa o que se fale, pode estar certo que vai soar como um cântico de amor. Agora feche os olhos e imagine um daqueles deuses italianos te dizendo em voz sussurrada e sotaque mais doce que rapadura fresca: "Il mio cane è scappato e io penso proprio di una madre noiosa." Gente!! É tudo, não é? Enfim.. foi nesse país, onde todo mundo fala italiano com sotaque, que eu acabara de chegar. Ahh a propósito a frase sensual quer dizer "Meu cachorro fugiu e eu acho sua mãe uma chata.". Não é lindo?? rs
Logo no aeroporto, Malpenza (até o nome é lindo, né?), em Milão, ja nos deliciávamos ouvindo a sonoridade do idioma. Ao sairmos da alfândega um guarda nos abordou "dove sono le ragazze?" ahhh que liiindo!!! "Brazilianas", respondi com cara de quem entendia tudo. Aí a coisa foi pro brejo. Ele desatou a falar, numa rapidez de fazer inveja a repentista nordestino. Eu achando que iria tirar uma onda mas não teve jeito, mandei meu inglês nele e disse que não entendíamos nada de italiano. Ele parou e disse em inglês, bem devagar; "Vieram trabalhar como modelos?" ..... Peraí que tem mais um pouquinho de ...... (...e juro que ouvi uns grilos nessa hora).
Vou ter que mudar de parágrafo aqui. Vamos ser honestos. Duas balzaquianas chegando em Milão. Uma medindo exatos 1m48, cujo peso só chegaria aos 40 quilos se ela estivesse segurando uma mala de 30; a outra com mais ou menos 3 arroubas, bem pesadas, distribuídas num "corpão" de 1m58, e o camarada pergunta se fomos trabalhar como modelos?! Conclusão: aquele carcamano safado estava de sacanagem com a nossa cara! Ele já estava ensaiando a próxima gracinha, o sorriso malicioso brotando no canto da boca, quando me ouviu dizer bem séria: "Sim! Exatamente." Peguei-o desprevenido, óbvio. Ele queria nos sacanear, mas não me conhecia... Afinal de contas meus antepassados foram os antecessores do termo "curtir com a cara dos outros". Ficou me olhando com vontade de responder mas.. nada. Sem chance, Pepino di Capri!
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| Teto do Dumo em MIlão - ô lugar pra ter gente bonita! |
Após um muito bem colocado "Arrivederci", lá fomos nós arrastando a mala pela rua em busca do ônibus para Pavia, onde encontraríamos meu amigo Antonio, o planejador.
De olho em todo o itinerário do ônibus, contávamos todos os pontos que ele havia nos indicado. Lojas, prédios, igrejas (e quantas igrejas...) e finalmente chegamos à parada onde o encontraríamos. E lá estava ele.
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| Eu, Deda e Dr. Antonio, nosso gentil anfitrião Paviense. |





