sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O calvário de Ischia



“Pobre é fogo!”. Já dizia minha avó. Quando tudo dá certo pra gente, começamos a pensar que deve vir algo errado em seguida. Porque não podemos acreditar que o universo está a nosso favor? Porque não podemos simplesmente, curtir os momentos de glória sem pensar em mais nada?

Depois daquele dia abençoado em Assis, quando até meu DNA eu deixei nas calçadas medievais, eu juro pra vocês que eu pensei: “O que mais poderia acontecer conosco nessa viagem?” É claro que... nada! Daquele dia em diante, com todos os nossos pecados já pagos, tudo seria perfeito! Vamos mudar nossa vibração mental e pensar positivo, não é mesmo? Bem... Infelizmente não foi bem assim. Afinal de contas iríamos ficar dois meses viajando e até então só tinham se passado três semanas. Estávamos no meio da Itália e no meio de nossa viagem dos sonhos. Portanto o destino ainda nos reservava muitas aventuras.

Próxima parada: Napole! Eu estava mais ansiosa em ir para sul do que um pássaro imigrante durante o inverno canadense. Meus antepassados saíram do sul da Itália, de alguma cidadezinha na Calábria, para serem seduzidos pelo chiado e o charme carioca, no Rio de Janeiro. Conhecer a Calábria era como fechar um ciclo. Além do mais eu iria finalmente encontrar o “belo Antonio”. O americano Anthony, o filho do diplomata americano que conheci na interent, lembram-se? Anthony vivia em Napoles e em nosso último contato combinamos um encontro caso eu decidisse aparecer. E lá fomos nós.
Ferentino - a caminho de Napole

No caminho rumo ao sul a paisagem mudou completamente. O ar bucólico e os campos floridos do norte deram lugar à uma vegetação seca e rasteira.  É até um pouco difícil explicar. O norte da Itália parece um lugar mais suntuoso, mesmo as cidades mais simples podem parecer saídas de contos de fadas. Ao sul as casas parecem ter-se aglomerado de maneira desordenada, meio bagunçada, digamos assim. As pessoas falam ainda mais alto (se alguém conhece um italiano que fale baixo, por favor me apresente...rs) e acredito que se tiverem os braços cortados... ficam mudos! Quanto mais o trem se afastava de Roma maiores eram as diferenças. As pessoas eram mais “cheinhas”, mais morenas e mais alegres.

Eu e Débora já havíamos reservado o albergue num dos lugares mais bonitos da região: A Ilha de Ischia. Só de vermos a paisagem no site ficamos boquiabertas. O que não contávamos era ter que nos locomovermos de balsa sempre que quiséssemos ir à cidade. Portanto, estávamos presas a horários e à grana (cada viagem custava-nos 15 euros!).
Napole - uma metrópole à beira mar

Ischia era uma ilha termal. A Caldas Novas italiana. Fontes de água quente e praias de areia negra eram sucesso absoluto entre os italianos. Como chegamos no meio do verão, o calor intenso não fazia das fontes térmicas lugares muito convidativos, por isso a facilidade em encontrar vagas no albergue.

Ischia - vista da balsa
Chegar à Ischia já foi mais complicado do que gostaríamos, mas chegar ao albergue foi praticamente uma aventura à parte. De Napole ao porto e depois à Ilha de Ischia levamos quase duas horas. Cansadas depois de mais de 4 horas viajando não esperávamos ter que esperar por um ônibus para levar-nos ao albergue, que ficava (é lógico) do outro lado da Ilha. Como era o único transporte público disponível na região, esperamos por quase uma hora que o bendito chegasse. Mas seria interessante partilhar o “passeio” com as mais de “cem pessoas” que também o aguardavam.  Quando finalmente chegou, sentimo-nos em casa. Eu, pessoalmente, recordei-me dos ônibus que me levavam do subúrbio à zona sul do Rio de Janeiro quando eu ia para a faculdade. Depois de entramos e sermos devidamente empilhadas dentro do veículo compreendemos a origem da palavra “coletivo”. O detalhe que fazia da aventura um momento ainda mais lúdico: o transporte era gratuito. “Que diferença isso faz em nossa história?”, vocês poderiam pensar. E eu respondo: mesmo aqueles que poderiam andar um quilômetro ou dois para chegar à praia, ou em casa, não abriam mão da “suposta comodidade” de usar o abençoado, e gratuito, meio de transporte. Porque não? Não é verdade? Porque não usufruir da maravilha que é a “facilidade sem ônus”?
E assim, em meio a dezenas de italianos suados e cheios de sacolas, cruzamos a Ilha de Ischia com nossas malas e esperanças, em direção ao nosso tão esperado albergue Cada D’ Antonio (os Antonios me perseguiam..rs).

... continua.

3 comentários:

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  2. Como pode, nos encher de água na boca, contando toda a receita e esconder o prato??!?!?! Dedé, esqueceu que eu sou forte?!?!?!
    Bjos

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  3. kkkk Ahhh Lucredis querida, o que seria de mim se não fosse o marketing?? rs Mas..a pedidos, posto hoje a continuação. E ainda tem é coisa pra contar. Ama!

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