quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Na boca do Vesúvio

Os dias pareciam ter sido encomendados. Absolutamente lindos! A balsa levava uma hora para chegar ao porto de Napole, e para encontramos Anthony deveríamos pegar um trem até a estação central. Para não perdermos tempo, pois o dia seria curto para nosso tour por Napole, compramos nossa passagem de volta na última balsa, às 21:30h.
Mal saímos da balsa em Napole eu vejo uma figura familiar. Parecia exatamente como a foto de meu amigo Anthony, mas nós tínhamos marcado de nos encontrar na estação de trens. Ele veio em nossa direção e vi que era ele mesmo. Achou melhor esperar-nos no porto assim não precisaríamos andar até a estação. Um gentleman, pensei.. e eu não poderia estar mais certa.
Nós e o Anthony..ahh!! E a Elvira, namoradinha italiana dele.

Apresentações feitas, o jovem médico nos levou a conhecer a cidade e perguntou se nos importávamos se ele chamasse mais dois amigos. Claro que não! Quanto mais gente conhecíamos, melhor! Os dois amigos eram na verdade, Elvira, sua namorada italiana, e Lorenzo, um italiano alto e robusto, todos muito agradáveis. Fomos almoçar num barco.. aliás num barco nada..num iate! E que lindo era o tal do iate. Na verdade o iate era usado com restaurante durante o dia e saía á noite para festas no mar. Foi nesse iate que comi a melhor pizza da minha vida. Gente, que coisa deliciosa. Uma legítima e maravilhosa pizza napolitana, com massa bem fininha e crocante, 3 enormes bolas de mussarela de búfala, tomates e manjericão fresquinhos. Conversamos um bom tempo e por alguma razão, que não me lembro, Anthony nos sugeriu que fôssemos à Pompéia. Era perto (pouco mais de uma hora de trem) e um passeio imperdível, segundo ele. Animadas com a sugestão, lá fomos nós pegar o trem. "Qualquer problema é só ligar", disse o Anthony aos nos despedirmos. Mas iríamos ficar bem, afinal era uma viagem rápida e já tínhamos as passagens de volta compradas.
Chegamos em Pompéia por volta das duas da tarde. O plano era: conhecer a cidade, pegar o trem de volta às seis e chegar cedo para pegar um bom lugar na balsa, afinal estaríamos mortas de cansaço e poderíamos cochilar no caminho de volta à Ilha.
Eu em frente ao mapa da cidade arqueológica de Pompéia.
Ao fundo.. a sombra do poderoso Vesúvio.

Iniciamos nossa exploração das ruínas emocionadas. Absolutamente fascinadas pela cidade. Pompéia era uma típica cidade italiana próxima ao vulcão Vesúvio. Tudo ia bem até que no ano de 80 (não é 1980, não, gente. Oitenta mesmo! 80 depois de Cristo) o Vesúvio entrou em erupção, provocando um forte terremoto e expelindo grandes quantidades de pedras incandescentes, lava vulcânica e fumaça tóxica. Toda a população de Pompéia morreu soterrada. No final do século XVIII, a cidade foi redescoberta ao acaso por um agricultor que, ao trabalhar na região, localizou um muro. Nos dois séculos seguintes, a cidade foi totalmente escavada por arqueólogos. O que torna isso ainda mais incrível foi a descoberta feita na ocasião: a cidade já possuía um refinado sistema de condução de água e uma organização social impressionanate. Casas, prédios públicos, teatros, termas, lojas e outras construções foram encontrados e mantidos exatamente como eram há quase 2000 anos. E o mais inacreditável: os corpos petrificados dos antigos habitantes, ainda estavam em suas casas. Alguns escondidos sobre mesas ou abraçados a seus filhos ou animais de estimação. Demais, né? Estar ali e ver aquilo de perto era simplesmente fascinante.
Quando o sol começou a se por estávamos observando o enorme anfiteatro no meio da cidade. Sentamos para apreciar aquela visão maravilhosa... e foi então que nos demos conta: é verão! E o sol está se pondo. QUE HORAS SÃO? Eu perguntei ao rapaz ao nosso lado e quase tive um treco quando ele respondeu: 19:45h! As ruínas fechavam às 20h, a mesma hora em que o último trem para Napole passava. Jesus amado! Depois de tantas emoções durante nossa viagem a última coisa que precisávamos era mais um momento de desespero.
Não me lembro de já ter corrido tanto antes em minha vida. E isso me lembra: corrida não é um esporte seguro, gente! Quase me mata!
Chegamos à estação faltando apenas um minuto para as 20h. Graças a Deus, tínhamos conseguido... ledo engano! Outra coisa que aprendemos: os horários espartanos dos trens só funcionam na Itália civilizada. O sul é outro departamento. O trem atrasou 15 minutos.
Bem, recapitulando: nossa balsa, para a qual já havíamos comprado as passagens, saía às 21:30h. Eram 20:15h e estávamos acabando de entrar no trem que nos deixaria em Napole, teoricamente, às 21:25h. Haja pernas!

... continua

Nenhum comentário:

Postar um comentário