Os dias pareciam ter sido encomendados. Absolutamente lindos! A balsa levava uma hora para chegar ao porto de Napole, e para encontramos Anthony deveríamos pegar um trem até a estação central. Para não perdermos tempo, pois o dia seria curto para nosso tour por Napole, compramos nossa passagem de volta na última balsa, às 21:30h.
Mal saímos da balsa em Napole eu vejo uma figura familiar. Parecia exatamente como a foto de meu amigo Anthony, mas nós tínhamos marcado de nos encontrar na estação de trens. Ele veio em nossa direção e vi que era ele mesmo. Achou melhor esperar-nos no porto assim não precisaríamos andar até a estação. Um gentleman, pensei.. e eu não poderia estar mais certa.
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| Nós e o Anthony..ahh!! E a Elvira, namoradinha italiana dele. |
Apresentações feitas, o jovem médico nos levou a conhecer a cidade e perguntou se nos importávamos se ele chamasse mais dois amigos. Claro que não! Quanto mais gente conhecíamos, melhor! Os dois amigos eram na verdade, Elvira, sua namorada italiana, e Lorenzo, um italiano alto e robusto, todos muito agradáveis. Fomos almoçar num barco.. aliás num barco nada..num iate! E que lindo era o tal do iate. Na verdade o iate era usado com restaurante durante o dia e saía á noite para festas no mar. Foi nesse iate que comi a melhor pizza da minha vida. Gente, que coisa deliciosa. Uma legítima e maravilhosa pizza napolitana, com massa bem fininha e crocante, 3 enormes bolas de mussarela de búfala, tomates e manjericão fresquinhos. Conversamos um bom tempo e por alguma razão, que não me lembro, Anthony nos sugeriu que fôssemos à Pompéia. Era perto (pouco mais de uma hora de trem) e um passeio imperdível, segundo ele. Animadas com a sugestão, lá fomos nós pegar o trem. "Qualquer problema é só ligar", disse o Anthony aos nos despedirmos. Mas iríamos ficar bem, afinal era uma viagem rápida e já tínhamos as passagens de volta compradas.
Chegamos em Pompéia por volta das duas da tarde. O plano era: conhecer a cidade, pegar o trem de volta às seis e chegar cedo para pegar um bom lugar na balsa, afinal estaríamos mortas de cansaço e poderíamos cochilar no caminho de volta à Ilha.
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| Eu em frente ao mapa da cidade arqueológica de Pompéia. Ao fundo.. a sombra do poderoso Vesúvio. |
Iniciamos nossa exploração das ruínas emocionadas. Absolutamente fascinadas pela cidade. Pompéia era uma típica cidade italiana próxima ao vulcão Vesúvio. Tudo ia bem até que no ano de 80 (não é 1980, não, gente. Oitenta mesmo! 80 depois de Cristo) o Vesúvio entrou em erupção, provocando um forte terremoto e expelindo grandes quantidades de pedras incandescentes, lava vulcânica e fumaça tóxica. Toda a população de Pompéia morreu soterrada. No final do século XVIII, a cidade foi redescoberta ao acaso por um agricultor que, ao trabalhar na região, localizou um muro. Nos dois séculos seguintes, a cidade foi totalmente escavada por arqueólogos. O que torna isso ainda mais incrível foi a descoberta feita na ocasião: a cidade já possuía um refinado sistema de condução de água e uma organização social impressionanate. Casas, prédios públicos, teatros, termas, lojas e outras construções foram encontrados e mantidos exatamente como eram há quase 2000 anos. E o mais inacreditável: os corpos petrificados dos antigos habitantes, ainda estavam em suas casas. Alguns escondidos sobre mesas ou abraçados a seus filhos ou animais de estimação. Demais, né? Estar ali e ver aquilo de perto era simplesmente fascinante.
Quando o sol começou a se por estávamos observando o enorme anfiteatro no meio da cidade. Sentamos para apreciar aquela visão maravilhosa... e foi então que nos demos conta: é verão! E o sol está se pondo. QUE HORAS SÃO? Eu perguntei ao rapaz ao nosso lado e quase tive um treco quando ele respondeu: 19:45h! As ruínas fechavam às 20h, a mesma hora em que o último trem para Napole passava. Jesus amado! Depois de tantas emoções durante nossa viagem a última coisa que precisávamos era mais um momento de desespero.
Não me lembro de já ter corrido tanto antes em minha vida. E isso me lembra: corrida não é um esporte seguro, gente! Quase me mata!
Chegamos à estação faltando apenas um minuto para as 20h. Graças a Deus, tínhamos conseguido... ledo engano! Outra coisa que aprendemos: os horários espartanos dos trens só funcionam na Itália civilizada. O sul é outro departamento. O trem atrasou 15 minutos.
Bem, recapitulando: nossa balsa, para a qual já havíamos comprado as passagens, saía às 21:30h. Eram 20:15h e estávamos acabando de entrar no trem que nos deixaria em Napole, teoricamente, às 21:25h. Haja pernas!
... continua


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