Eu vivia repetindo pra mim mesma que nunca teria dinheiro suficiente ara viajar por aí. Minha amiga Simone, a quem chamo carinhosamente de "minha guru", viajava todo ano e vivia me dizendo algo que demorei para assimilar: "Depois que você for a primeira vez, não vai parar mais". Bidu!
Lembro do dia que saí da residência oficial do MLO (militar de ligação americano) com meu visto carimbado no passaporte. Não acreditava..
Um mês depois, em 27 de janeiro de 2001, eu chegava ao aeroporto de Guarulhos pronta para enfrentar meu medo e iniciar minha jornada (que continua firme e forte até hoje...). Tinha ouvido de tudo: "Eles não vão deixar você entrar, mesmo que tenha conseguido o visto"; "Vão te entrevistar como se fosse uma criminosa"; "Tratam você como cachorro.". Mas o conselho que tinha ouvido de meu amigo Ivo Brancalião, o grande Branca, antes de sair de Brasília, foi meu incentivo: "Não baixe a cabeça. Não permita que ninguém a humilhe e tudo vai dar certo". E deu.
O destino: San Francisco, California. A primeira e fatídica parada: Atlanta, Georgia. O confronto com a famigerada Imigração americana.
Olhei uma das oficiais e achei-a parecida com a Gloria Gaynor. Imediatamente "It's raining men" começou a tocar na minha cabeça. Sabe aquela música maldita que se agarra em todos os pelos do seu corpo sem que você consiga evitar?? Pois é. A mulher tinha uma cara muito mal-humorada e pensei "Não me chame. Não me chame. Não me chame". E aí... CLARO, Ela me chamou. "It´s raining men, aleluia.." E a mulher olhando meu passaporte sem levantar a cabeça. "Aleluia....it's raining men.." Ela me fez uma pergunta e me olhou com cara de desprezo. "Aleluia, it´s raining men" Ai meu cacete!!! O que foi que ela disse?? A música tocava alto demais na minha cabeça e eu não ouvi. "I beg your pardon??" UAU! A primeira frase dita a um estrangeiro. Como nos meus sonhos! bla bla bla bla. Ela repetiu. Droga, bem no meio do refrão "It's raining men...aleluia..". Não entendi nada. Olhei atônita para a Gloria Gaynor. Cara de quem está dividindo um número primo por uma fração. Ela falou em espanhol algo que entendi menos ainda. Quando eu estava a ponto de começar a chorar, lembrei do sábio conselho de meu amigo Branca: "Não permita que ninguém a humilhe e tudo vai dar certo". Desliguei a música na minha cabeça; olhei pra ela com cara de quem tinha a maior auto-confiança do universo e disse, em PORTUGUÊS, bem devagar "Eu nasci no Brasil. Não entendo nada de espanhol. Ou você fala comigo em inglês, e mais devagar, ou em português. Muito obrigada". E depois disso veio o silêncio e o risinho nervoso. A própria Monalisa. O coração eu desliguei antes, junto com a música. Por uma fração de segundo ela olhou pra mim. Juro que vi o sangue subir aos olhos dela. "Vai Gloria, quebra meu gallho", pensei. Ela baixou de novo a cabeça. Carimbou meu passaporte, estendeu-o a mim e disse: "GO!". E eu fui.
Bendito Brancalião....
:| Eu estou no Blog!!!! Que emoção!!! O pior é que, depois que você começou a viajar, não reserva tempo para nossas caminhadas aos domingos... E ainda vai dizer que a culpa é minha. :p
ResponderExcluirAdoro!!! Estórias da Denise...Cuidado que isso vai acabar virando novela,eih?! :D
ResponderExcluirEstarei acompanhando de pertinho as novidades...
Também adoro suas histórias. E acho que depois vai virar livro e eu já disse: Eu compro!!!!!
ResponderExcluirbjos
Pois é.... já deixei o bigode crescer, já plantei uma árvore, já tenho filhos.... e agora você me presenteou escrevendo meu nome em seu blog... te adoro!!!!!
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ResponderExcluirBranca, meu querido, vc é muito lindo (com todo respeito à minha amiga Cris..rs) E lembro de como ouvia as suas experiências de viagem e como elas me inspiraram. Beijo grande pra ti. E obrigada por "aparecer".
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