O turista normal recolhe-se em seu quarto, desfaz malas, programa sua saída e aventura-se pela cidade munido de seu valioso e contemporâneo Guia da Folha todo marcado e cheio de "bizus". Deve ser muito legal. Imagino eu. No meu caso, as coisas aconteceram, digamos, de maneira bem inusitada. Eu não estava só num páis estrangeiro. Não. Eu estava num país estrangeiro, dividindo uma bolha com 5 alienígenas que falavam inglês, se não pior, tão mal quanto eu. Meu turismo, portanto, era totalmente acidental. Onde eles quisessem me levar, eu ia. Já que tudo era novidade mesmo, resolvi relaxar e aproveitar.
Vocês sabem que falo pelos cotovelos. Me comunicar em inglês, a princípio, foi uma piada - as pessoas tentavam entender e depois riam de mim; e, no final, passou a ser um programa de auditório - as pessoas nem tentavam entender, riam em uníssono e ainda batiam palmas).
Os indianos me rodeavam e ficavam olhando eu falar como quem assiste o último capítulo da novela das 8. Escutavam ávidos tudo o que eu dizia, como se fosse importante. E quando eu parava, ou porque a estória tinha acabado ou porque não lembrava de alguma palavra que precisava dizer, era um tal de "quer água?, "está com fome?", "quer ir a algum lugar". Ir a algum lugar?? Como assim?! Eu nem tinha acabado a estória!!!! Foi então que descobri o óbvio: eles não estavam nem aí pras minhas estórias. Eles simplesmente NUNCA, descobri mais tarde, nunca haviam ouvido, ou visto, uma mulher, que não fosse sua mãe ou irmã, falando livremente. O fato de eu falar e ainda rir diante deles era SURPREENDENTE. Quando percebi isso resolvi tirar proveito. Que maravilha! Na segunda vez que fiz uma pausa e eles me perguntaram o que eu queria, eu simplesmente disse: "Passar pela Golden Gate". E eles me levaram. Fomos em dois carros. Um verdadeiro comboio turístico. E eu lá. Pagando meu primeiro mico. Cabeça pra fora do teto solar, feliz que nem cachorro na janela do carro.
E foi assim, a primeira vez que "usei minha beleza para o mal". Sorry, mom.
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| Ei-la, a Golden Gate em todo seu esplendor..rs "Que nem que eu" rs |

Eita, quanta astúcia... abusando da cultura alheia... kkkkk
ResponderExcluirQuando você falou "Cabeça pra fora do teto solar...", antes de ler o restante "feliz que nem cachorro na janela do carro" logo me lembrei da Luna Cristina, ô canina abençoada. rsrsrsrsrs
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