Eu nunca fui muito de noitadas. Aliás, baladas, para usar uma expressão mais in. Sempre que tiro férias, e vou pra algum lugar, eu ando, ando, ando, ando o dia todo. E à noite eu reponho as energias pra andar mais no dia seguinte. Tínhamos viajado o dia todo, e minha garganta não estava me dando nenhuma trégua àquela altura do campeonato. Eu poderia dormir em pé naquela hora. Em qualquer canto daquele quarto de hotel. Juro. Mas não dormi. Nem naquela hora nem nas 5 horas seguintes.
Dez da noite e Las Vegas estava começando a acordar. E eu pensando em ir dormir. Santa ingenuidade, Batman! Deixamos as malas no quarto e, sem parar nem pra tomar banho (a explicação é que o banho tinha que ser antes de ir pra cama..-. ahhhhh, a cama...- por causa do choque térmico), lá fomos nós, o grupo mais bizarro que já vi na vida, rumo às luzes e à diversão (deles, pelo menos).
A primeira parada foi para o jantar. Tudo o que é canto de Las Vegas tem o tal do buffet. Temos a mesma coisa aqui, mas muito mais barato. Ahh e lá a gente não paga a bebida, contanto que não seja alcoólica. Eles entopem as criaturas de líquidos, na esperança de livrarem-se delas o mais rápido possível. Eu só entrei porque queria testar meu velho truque do gargarejo com água, sal e vinagre pra melhorar minha dor de garganta. Pedi uma xícara de água quente e me trouxeram chá preto. Tudo bem. Estava quente. Enchi de vinagre e sal e fui ao banheiro. Gargarejei uns 10 minutos. Já voltei outra. Doida pra compensar o tempo que passei calada.
Como eu não entendia chongas do que os novos indianos falavam, acabei criando uma espécie de sub-grupo..rs Eu e o Harpreet descobrimos que tínhamos algo em comum, além do nosso ingles sofrível: nosso senso de humor sarcástico..rs. Por isso, íamos atrás do grupo Bollywood (apelidinho carinhoso que demos) comentando as alegorias dos pobres dissidentes ( e olha que os dissidentes éramos nós..rs). Eu fazia uma espécie de dublagem do que os indianos falavam, e que eu não entendia. O Lucky ria e nem se importava em me corrigir, já que poderia facilmente traduzir literalmente tudo o que diziam. A minha, digamos, interpretação poética era muito mais divertida.
Entramos no Caesars Palace. Uma visão megabrega da ostentação. Tudo dourado e cheio de rococós. Contudo, uma Lenda do show business. Os caça-níqueis faziam um barulho absurdo. O cheiro de cigarro era forte e nauseante. Gente de toda espécie. Noivas pra todo lado. A maioria, gente e noivas, bêbada. Loucura total! O grupo parou. Alguns "atchas" e "teegas" depois Lucky me chamou e avisou: "Vamos ficar por aqui. Pegue esse cartão". Ele me deu uma espécie de cartão magnético com a logo do Caesars. "É seu presente de aniversário", disse ele. (eu iria passar meu aniversário com eles, mas ainda faltavam alguns dias pra isso). Vendo minha cara de "sim e kiko?", ele continuou.. "Vá até lá, mostre seu cartão na entrada e divirta-se. Vamos esperar aqui mesmo". O "lá" era uma porta enorme, de laca branca e frisos dourados. O "aqui" era a mesa de blackjack, o famoso 21, jogo que era a paixão dos (meus) indianos. Tá bom, pensei. E fui. Cartão em punho, e morta de curiosidade.
Mostrei o cartão. Passei pela porta e vi uma sala de shows. Enorme. No palco, um piano. Ai, meu cacete. Show do Liberace, não! Nem por amor a Dadá eu aguento. Mas ao mesmo tempo notei algo que me fez repensar minha renúncia: ninguém estava fumando ali. Ave Cesar! Ou melhor: Ave, Caesars!! :) A mesa a que fui conduzida era microscópica. Mas era só pra mim mesmo, por isso, conformei-me.
Eu olhava em volta. A mulherada de vestido longo, toda montada na griffe, (dignas de aparecer no blog da Lulis ou no livro da Danuza..rs) de salto 10 e tudo o mais. Eu, a imagem do desleixo: com meu casaco de astronauta, caça jeans Inega, e tenis Rainha (salvo do templo hindu há apenas alguns dias). Azar! Ninguém me conhece. Vai dizer que não é isso que a gente diz pra si mesmo quando não quer chorar de vergonha?
Algum tempo depois, as luzes se apagaram e a parafernália sonora anunciou: "And now, bla bla bla Caesers Palace bla bla bla Ladies and gentlemen bla bla bla"... Lá vem o Liberace, pensei. "bla bla bla bla Sir .. ELTON JOHN"!!!!!!!
continua...

Ô bicha sortuda, primeira vez fora do Brasil e premiada com um show nada "básico" do Elton John... paciência... esperemos os próximos episódios.
ResponderExcluirPois é, Lulis, eu demorei a sair do Brasil mas quando saí Deus pensou assim "Tadinha dela, vou dar uma colher de chá"..rs Mas sabe como é colher de chá de Deus, né?? Foi mais que um balde!!! rs rs
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