segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Tutti buona gente!

Vocês podem não acreditar mas a Itália é muito parecida com o Brasil. É arrumada de um jeito diferente, mas que fundamentalmente tem as mesmas aldeias.
Ao norte ficam as elites européias. Os herdeiros das linhagens de alemães e suíços, que falam dois ou três idiomas, moram em casinhas com jardins cheios de pés de romã e pereiras carregadinhas; todos (ou quase) loiros de olhos azuis e cabelos lisos que acham que são o melhor que o país pode ter.
Ao sul, roupas penduradas em longos varais nas janelas dos apartamentos e nos jardins das casas lembram um filme de Fellini. Famílias imensas que se sentam à mesa no domingo falando alto e criando confusão; os avós que falam com todo mundo (da família ou não) apertando as bochechas e dando-lhes beijos estalados e gordurosos; as Nonas te enchendo de comida e os padrinhos contando "causos" como quem participa de um concurso de calouros.
Eu não disse que era parecido??
Nosso amigo Poppo nos deixou um verdadeiro guia do norte da Itália. Os horários do trem eram impressionantemente precisos: Pavia - Verona 8:02am E era exatamente assim. Ou você chegava até às 8:01am na estação e entrava no trem, ou podia pegar o próximo ou voltar pra casa.
Encontrar a estação parecia fácil, à primeira vista. O mapa parecia de uma clareza cristalina..até que nos víamos atrasadas, correndo de mala na mão tentando achar o caminho mais rápido pra chegar lá...antes das 8 e 01!!
La Stazione! Estação de Pavia às 8:01!! 


Numa dessa vezes, indo para Padova (Padua), a Débora carregava seu livrinho de frases em italiano - "uma mão na roda", segundo ela. Paramos em frente a um jornaleiro para perguntar onde era a estação de trens. Uma frase simples, não é? Pois tente dize-la quando está com pressa, tentando escolher as palavras certas num livrinho ridículo, que ao invés de ter as frases em ordem alfabética era separado por assuntos. Muito prático. Por isso, na correria, Débora encarou o jornaleiro com olhar desconfiado e tentou:" Dove é la.....train station?" mandou ela na lata do homem. "Prego???" disse ele ainda mais desconfiado... "Prego é tu!" foi a primeira coisa que pensamos em responder, mas estávamos atrasadas e a Débora ensaiou um barulhinho de trem, e desenhou uma casinha no ar como uma verdadeira arquiteta. "Ahh La stazione! Eco! Basta girare alla prima a destra e passare al supermercato, si vede i binari".  Agora cabe aqui uma pausa. Voltando rapidamente ao post anterior: o idioma é lindo demais, né, não? Eu quase disse ACEITO pro jornaleiro. Fico até arrepiada, só de pensar ...
Em frente ao túmulo da Julieta. Isso mesmo: AQUELA Julieta! Eu nem sabia que ela tinha existido
quanto mais que tinha túmulo. E adivinha onde fica?? Pois é, Verona.
Enfim, de tudo o que o homem disse eu entendi o girare, a destra (essa mais por dedução do que por conhecimento) e supermercato. Dali pra frente a gente se virou. Grazie mile! E lá fomos nós à cidade de Santo Antônio. Quem sabe com muita fé, ele não nos conseguia um bom marido italiano (..se é que isso existe)
Praça em frente à catedral de Sto Antonio de Pádua? Onde está Wally?? Juro que eu estava ali, pode procurar.
Ahh a propósito, Sto Antonio não nos arrumou nada!

2 comentários:

  1. Adoroooo suas histórias, Dé!
    Conta mais...
    Essa viagem da Itália deve ter dado o que falar!
    beijos

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  2. Pô magrona achava que esta julieta era um conto...legal!

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