quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Um pouco mais pra baixo...

Era o ano das "cachorras". E no meu disc man eu ouvia o bendito funk o tempo todo. Nada como um som pra distrair quando se fica uma hora dentro de um trem. Mas não era a única loucura que eu fazia.
O Brasil tinha acabado de ser penta campeão de futebol e, claro, eu usava uma camiseta do Brasil sempre que fazia uma longa viagem de trem. No início era só de provocação mesmo. Sacanagem purinha. Em algumas semanas era mais uma forma de matar as saudades de casa.
As "cachorras" e o Bonde do Tigrão, do Rio de Janeiro para Florença.
Duas balzaquianas ensinando a meninada toda do albergue a dançar. Foi demais!
A aventura estava apenas começando. Andamos de gôndola em Veneza, dançamos que nem criança com as meninas do albergue em Pádua, viajamos de ônibus sem pagar em Florença, assistimos ao Palio em Siena torcendo pelo cavaleiro mais bonito (como se entendêssemos o que estava acontecendo)... Fomos turistas adolescentes no País das Maravilhas. Aquelas tres semanas mudaram nossa vida. E aí.. bem, aí... seguimos para Roma. Bem mais pra baixo, no centro-sul da Itália.
Naquele ano já se falava que Veneza estava afundando.
Bem, melhor aproveitar enquanto podíamos, né?

Roma. Até o nome nos faz viajar no tempo. Em Roma nosso destino tinha sido traçado um mês antes. Da mesma forma que me lancei em busca de informações de Milão antes de chegar lá, tentei descobrir o melhor lugar para nos instalarmos na capital.
Eu sabia que havia um escritório brasileiro para assuntos de aviação em Roma, perguntei a um de meus colegas que trabalham no escritório daqui e consegui o telefone do escritório italiano. Beleza! Agora era ligar e descobrir se tinham alguma dica sobre onde eu poderia ficar.
Na primeira tentativa me atende um senhor que tenta de várias formas ajudar. Mas só conhece hotéis 5 estrelas, totalmente fora, digamos, de minha faixa de preços. Ele pede que eu retorne a ligação mais tarde e converse com o suboficial que estava lá há mais tempo. Eu ligo e...mais uma vez lá vem a lei universal do retorno. O suboficial conversa comigo 2 minutos e dispara "eu sei quem você é! Já a vi nos corredores aí em Brasília. Você nao vai para hotel nenhum, vem ficar conosco em minha casa."
Em Florença, na Loggia dei Lanzzi, as obras de Michelângelo e
Gianbologna ficam expostas  pra quem quiser ver.
É a cultura italiana nas ruas, sem que ninguém precise pagar por isso. Incrível!

Encurtando essa parte da história, quase dois meses depois lá estou eu e Débora, chegando ao Termini, o terminal  ferroviário em Roma, sendo recebidas pelo nosso novo velho amigo, Otavio, sua esposa e os 3 filhos.  A família interrompeu as férias e viajou de volta à Roma só para nos recepcionar. Espremidos com metades de pessego numa lata cheia de calda, lá fomos nós para nossa casa romana.
Gente eu tentei, juro. mas ela continuou torta.
Ver a Torre de Pizza foi irreal,
parecia cena de desenho animado.

Otávio nos mostra os arredores, nos leva à sua casa e, inacreditavelmente, assim como nosso amigo Antonio, de Pavia, nos entrega as chaves da casa para em seguida voltar às suas férias no litoral à 2 horas dali.

E foi assim. Roma era nossa!!

... continua.

2 comentários:

  1. Eita, Dedé, só você mesmo, mudando a vida e o planejamento das pessoas... que só fazem isso porque sabem que você é uma pessoa muito especial...
    Ama!

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  2. Na verdade, minha linda, é Deus que me abençoa todos os dias, colocando em meu caminho gente assim, maravilhosa. Sortuda eu, né?? Ama.

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