quarta-feira, 31 de julho de 2013

Necessidades básicas

Como diria o saudoso Odorico Paraguassú (os jovens que me perdoem a citação, mas cult é cult..rs), depois de ter a "alma lavada e enxaguada" em tanta cultura, voltemos à história..rs

A primeira manhã na Índia foi, no mínimo, bizarra. Não conseguimos dormir muito bem. Não conseguimos dormir de jeito nenhum...rs O calor, o barulho (que não pára nem de madrugada), a ansiedade e... o bendito Jet lag. Lembram dele? Pois é. Nem pensávamos nele, e mal sabíamos nós que seria nosso companheiro inseparável nos próximos 3 ou 4 dias.

Só quando levantamos de manhã cedo é que fomos avaliar o local onde estávamos. Um apartamento pequeno, mas confortável, especialmente para os padrões indianos. Uma sala não muito grande e dois quartos. Num ficamos eu e Deda e Santosh ocupou o outro. O nosso era uma suíte. O banheiro era pequeno e escuro, meio assustador mesmo. Uma pequena cozinha e uma área, tipo terraço, do lado de fora da cozinha, com vista para o "entorno" tumultuado de Nova Delhi. Na área ficava o tanque e (Pasmem!) uma máquina de lavar; local esse que, mais tarde, transformaríamos no nosso quintal, com direito a calcinha na corda e tudo mais. Tudo no melhor estilo carioca suburbano rs

Bem, reconhecimento feito, veio a primeira necessidade. Vocês podem até pensar que era comer, não é? Tolinhos! Se vocês têm acompanhado minhas aventuras desde o início da viagem com a Débora sabem que antes mesmo de comer é preciso: limpar! A mulher tem horror à sujeira, colocava lencinho no banco da rodoviária pra poder sentar e tudo o mais. Por isso a primeira necessidade, pelo menos dela, era: fazer uma faxina! Só quem conhece o significado mais profundo da tal “mania de limpeza” vai entender os motivos que levaram a Débora a passar o primeiro dia de nossa viagem à Índia, limpando cada um dos cantos e utensílios daquele lugar. Claro que o pânico começou bem antes, mas isso eu vou ter que explicar melhor.

Na noite anterior, quando chegamos e fomos beber água, a Deda olha os copos enfileirados e imundos no escorredor e pergunta ao Santosh:
-“Sua irmã está fora há muito tempo, não é?”.
-“Ela viajou ontem”, responde ele, imediatamente antes de ouvirmos o barulho do copo caindo na pia quando a Deda o soltou quase que instantaneamente ao ouvir a resposta. Ela olha pra mim com os mesmos olhos espantados com que me olhou diante do sapateiro de Assis, e diz entre os dentes: "Tem limo no escorredor de louças". Ahhhhh!! Deus é Pai!!

É, não havia desculpas. Não era o “longo tempo de ausência da anfitriã” que iria explicar a imundície dos copos, pratos e talheres; e nem o limo no escorredor. Talvez tenha sido esse também um dos motivos de não termos conseguido dormir; a poeira acumulada naquele quarto era tanta que nos sentimos como mineradoras de carvão presas no desabamento da mina.

Ao ouvir o Santosh dizer que precisávamos comprar algo para comer, Deda avisa logo que podemos ir os dois, porque ela vai ficar LIMPANDO!! Ô coragem!

Saímos eu e Santosh para fazer as tais compras. Mas essa história é longa.. e fica pra próxima...rs

4 comentários:

  1. LIMO?????? SOCORRO....!!!!!!!A Índia é conhecida pela sujeira, mas a gente não consegue imaginar, hein!

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  2. Não sei se iria ficar limpando cozinha dos outros... mas certamente, não iria comer ali... Deus o livre!

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  3. Pois é, amigas queridas, não limpar não era opção naquela altura do campeonato. Ficaríamos ali muito tempo. TINHA que ser limpo! Lulu, tu precisava ver o lodo nos dentes dos garfos...rs A opção era: comer num restaurante indiano. Alguém aí se arriscaria?? rs rs

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  4. Que nojo... O nosso pensamento vem com imagens tá kkkkk. Estou começando a ficar com dó de vcs. Mais a melhor parte é vcs com cara de mineradoras kkkk...

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