domingo, 6 de novembro de 2011

Veni, vidi, vici!

Inspiradas por Julio Cesar, o mais famoso dos romanos, lá fomos nós com o espírito dos antigos generais: Veni, vidi, vici*! Saímos a conquistar a milenar Roma. Afinal de contas, tínhamos todas as armas necessárias: o charme brasileiro, o sotaque encantador... e minissaias incríveis! rs Sim, sras e srs... Minissaias! Porque apesar do que vocês veem hoje, eu já tive um grande futuro no meu passado.
Viu só?? Eu te disse. A minissaia era mesmo incrível!
Nem mesmo eu acredito que usei aquilo.rs

Roma é deslumbrante. Um banho de história e civilização. A Praça Navona, a Fontana de Trevi, a Praça D'Espanha, o Coliseu, as ruínas, a Vila Borguese, o Círculo Máximo, o Forum e, é claro, o Vaticano. Tanta coisa para conhecer ver e tão pouco tempo. Acho que dá pra passar um ano em Roma visitando um local diferente todo dia. E gente..Ô povo lindo! Não dá pra imaginar ficar um ano naquele lugar e não sucumbir ao pecado. Um ano?? UM MES! Só mesmo a heroína de "Comer, Rezar e Amar" (e cá entre nós, DUVIDO que ela tenha se mantido imune ao charme italiano). Aquela que nunca babou por um Carabiniere* que atire a primeira pedra.
E por falar em beleza italiana, nossa primeira incursão ao mundo maravilhoso dos homens belos foi durante o passeio à Vila Borguese.
Andamos por horas naquele lugar. Tudo era lindo e absolutamente deslumbrante. Depois de entrarmos e sairmos de jardins e lagos, de abraçarmos árvores e tirarmos fotos em pequenas pontes a óbvia e desesperada constatação: estávamos totalmente perdidas! Mas nem sombra de saber por onde ir. O desespero já começava a tirar o sorriso do nosso rosto quando avistamos um carro da polícia em uma das vias dentro da Vila. Aleluia! Lá vamos nós, já ensaiando nossas frases italianas perfeitas para a ocasião. Tínhamos tudo na ponta da língua. Era chegar e despejar nosso sotaque no carabinieri. E até que começamos bem:
_ Buon giorno, signore. Scusi...Ai que orgulho, e com sotaque caprichado. Tudo dando certo e então, o inesperado: o homem, que conversava alegremente com sua parceira policial, vira e nos encara:
_ Buon giorno, como posso aiutare? 
Silêncio. Silêncio profundo (som de grilos estridulando). Durou uns 5 segundos, mas eu juro que pareciam duas horas e meia.
Eu e Débora, mudas. A boca meio aberta, tipo boneco de ventríloquo; o queixo levemente caído; os olhos totalmente hipnotizados por aquela visão. Sim, amigos, uma visão! Eu poderia jurar que o homem se movia em câmera lenta e com fundo musical.  Eu nunca imaginei que os deuses da mitologia romana tivessem herdeiros vivos àquela altura. Mas tinham. E ele estava ali. Um deus! Os lábios se abriram mostrando dentes lindos, brancos e bem alinhados. O cabelo negro, farto e liso. Olhos verdes como o Mar Egeu. A voz profunda nos paralisou. Aquele homem não nasceu, foi esculpido. Deve ter mau hálito, pensei. Ninguém pode ser tão perfeito.
O Vaticano. Imponente, luxuoso..uma afronta!

E aí, como era de se esperar, nossas frases italianas perfeitas simplesmente desapareceram de nosso córtex cerebral. Como se tivéssemos sido ligadas em algum aparelho elétrico, subitamente, eu e minha fiel escudeira desatamos a falar. Alto e ao mesmo tempo. Uma verborragia insana e incompreensível. Só depois nos demos conta que falávamos em português.
_"Nós nos perdemos...", "Por favor seu guarda", ..."precisamos sair daqui...". As frases desencontradas não tinham o menor sentido. Nem mesmo se o pobre homem (deus) entendesse português conseguiria decifrar aquilo. Mas, com todo deus que se preze, ele sorriu mais uma vez. Nos olhos a compreensão de quem estava acostumado a estarrecer muitas fêmeas desavisadas. Ele aponta para o norte e meneia a cabeça nos mostrando a direção a seguir. Mudo. Impassível e desconcertantemente belo.
_ Grazie, grazie, grazie. Repetíamos constrangidas.
Andamos na direção indicada. Em silêncio por um tempo que pareceu longo demais. Braços dados, andar acelerado com duas irmãs Cajazeira. E então.. desandamos a rir como loucas, como se finalmente nos déssemos conta do ridículo que tínhamos acabado de passar. Rimos de chorar, de doer a barriga.
A conquista assegurada. Roma era nossa! Alguém duvida? rs

Entramos no ônibus ainda sem nos olhar, pois toda vez que o fazíamos caíamos na gargalhada.
No disc man a música começou a tocar: "Só as cachorras! As preparadas.." Quem diria... Duas cariocas espertas, cheias de GSI*, fazer um papelão desses.. Longe, muito longe de estarem preparadas.
Ô vergonha!

* Veni, vidi, vici! - Vim, vi, venci!
* Carabinieri - policiais italianos
* GSI -  Jogo de cintura escroto! rs

4 comentários:

  1. Dê, você é hilária amiga! Adorei a descrição do deus italiano. Aliás, diga-se de passagem, eu bem conheço os italianos... meu marido era neto de... os quatro avós o eram. Beijos

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  2. Marj, amiga, eu nunca vi um lugar com tanto homem bonito..aliás..tanta GENTE bonita. Não é à toa que tenho essa beleza singular..genética, querida..pura e maravilhosa genética!! rs rs

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  3. Kkkkkkkkkk... Só tu mesmo... podiam ter pedido para tirar foto com ele... oras, ele nem conhecia vocês mesmo...
    bjim

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  4. O problema Lulis é essa minha timidez, vc sabe... eu não teria coragem de pedir MESMO! rs

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